sábado, 21 de março de 2015

Vendas de caixas d'água sobem até 900% com crise hídrica

Empresas de perfuração de poços e distribuidoras de água mineral também estão entre as beneficiadas pela estiagem

Raul Montenegro

No domingo, 22 de março, o mundo comemora o Dia Mundial da Água. No Sudeste brasileiro, porém, o clima é de pouca celebração e muita preocupação. Apesar das chuvas que caíram sobre a região no fim do verão, os reservatórios não se recuperaram o bastante para resistir até o fim da estiagem. Amedrontada, a população se prepara para uma época de torneiras secas. Empresas de setores de captação e armazenamento, porém, têm motivos de sobra para comemorar devido à alta procura pelos seus bens e serviços. Água mineral engarrafada, cisternas, perfurações de poços artesianos e fretes com caminhões-pipa registraram aumento na demanda e nos preços desde que a escassez se intensificou, em meados do ano passado. Nas lojas, os produtos desapareceram das prateleiras. Para comprar uma caixa d’água, por exemplo, a espera pode chegar a 60 dias – e com acréscimo de até R$ 200 no bolso do cliente.

ISTOÉ visitou estabelecimentos de três grandes varejistas com atuação nacional. Num deles, uma caixa d’água de mil litros que custava R$ 469 está saindo por R$ 679, um sobrepreço de 45%. Essas caixas, aliás, eram raridade nos lares brasileiros, onde predominam reservatórios menores, de 300 ou 500 litros. Agora, cada vez mais gente prefere modelos maiores, de até 5 mil litros. Na comparação de janeiro de 2014 com janeiro de 2015, a Telhanorte, por exemplo, registrou aumento de 650% nas vendas de reservatórios na Grande São Paulo. Já a Leroy Merlin Rio Barra (RJ) viu a saída das caixas d’água crescer 900%. Em época de seca, até os baldes viraram alvos de consumidores desesperados. Em uma unidade paulistana da loja, a venda disparou 250% no período. “O mercado foi pego de surpresa. Tivemos que adicionar um turno e contratar 40 funcionários para suprir a demanda”, diz Cássia Lago, gerente de vendas e marketing da fabricante de reservatórios Acqualimp.

O preço da água mineral engarrafada também subiu quase 15% em 2014, segundo o Índice de Preços ao Consumidor da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas. Além disso, comerciantes, indústrias e até residências passaram a procurar mais os serviços de caminhões-pipa, aumentando o valor do transporte em 20%, de acordo com Marcelo Nigro, presidente da Associação dos Transportadores de Água. Ele alerta ainda para o aparecimento de empresas irregulares que adaptam veículos ou levam água em carretas já usadas para combustíveis. “Aconteceu durante a seca do Nordeste, acontece no Rio e está acontecendo em São Paulo. Quando você pega um caminhão meio velho e sem identificação, ele é clandestino”, afirma.

A alternativa dos poços artesianos, que precisam de uma autorização do Estado, é outra que está na mira dos consumidores. Em Minas Gerais, por exemplo, os pedidos de outorga aumentaram de 2.743 para 3.731 de 2013 a 2014. Em São Paulo, o crescimento foi de quase 10% no período.

Os cidadãos que não querem passar sede devem preparar os bolsos.

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